O Sr. Bauru


Filho de um batateiro dos alpes gelados de São Roque da Fartura, ele desceu à cidade —São João da Boa Vista— aos treze para trabalhar numa choperia. "Vou te falar a verdade, Lauro, eu nem sabia o que era chope", assume Elinei Aparecido Paina sua então matutice.

Anos depois, já casado com Adriana Saavedra e pai de Bianca e Bruna, Nei quis usufruir de sua experiência como garçom para melhorar de vida na capital paulista. Sua primeira ocupação em São Paulo foi numa casa de recreação sexual masculina. Nessa zona sofisticada na Pompéia, ele pilotava a chapa fazendo hambúrgueres para quem precisasse de energia ou reposição dela antes ou depois das extenuantes atividades libidinosas. 

Vários trabalhos, todos como garçom, se sucederam em São Paulo, onde ficou mais de cinco anos, e em São João a partir do retorno em 2013. Em todos os restaurantes nos quais serviu mesas, Nei se aproximou dos cozinheiros para matar sua curiosidade de como os pratos eram preparados. 

Aqui na província crepuscular, Nei labutava durante o dia como office-boy num escritório contábil. Sua rapidez na motocicleta levando e trazendo documentos lhe rendeu o apelido de Bala. Na era das mídias sociais, ele duplicou o "l" e botou um "y" no Nei. 

Ney Balla, cansado de correr carregando bandejas, pegou um disco de arado, comprou insumos a crédito e começou a fazer baurus em sua residência no bairro São Benedito. 

O instantâneo sucesso obrigou Ney a buscar um ponto. Em 20 de fevereiro de 2018, num prédio modesto na General Carneiro, O Sr. Bauru abria as portas com uma mão de obra 100% familiar. 

Vinte e quatro meses após a inauguração, O Sr. Bauru está aí, consolidado na cena gastronômica sanjoanense, oferecendo setenta e cinco itens de um cardápio nada estático. Obcecado por qualidade, cuidado no manuseio, procedência dos ingredientes e tamanho das porções, Ney Balla escolhe pessoalmente os mais de quinhentos quilos de mignon bovino e lombo suíno que consome mensalmente para elaborar cerca de cinco mil pratos, entre filés, polpetones e sandubas. 

O êxito d'O Sr. Bauru é decorrência inequívoca da soma de talento, dura lida, experimentos e esmero. 

Manda Balla, Ney!

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